Transposição do São Francisco no Piauí avança com estudo de viabilidade 80% concluído; obras podem começar em 2027 e beneficiar 1 milhão de pessoas em 26 cidades

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O projeto de transposição do Rio São Francisco para o semiárido piauiense avançou mais uma etapa decisiva. Representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) apresentaram ao governador Rafael Fonteles o primeiro produto do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Social (EVTEAS) do Canal de Integração do Semiárido Piauiense.

O estudo já está 80% concluído e deve ser finalizado em novembro deste ano.

A reunião ocorreu no Palácio de Karnak e contou com a participação do secretário nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra Seca Vieira, e do diretor do Departamento de Projetos Estratégicos do MIDR, Bruno Cravo Alves. O EVTEAS foi iniciado em julho de 2025, está dividido em dez etapas e é considerado fundamental para definir o traçado, os custos e os impactos da obra.

Caso a viabilidade seja confirmada e o projeto executivo elaborado na sequência, a previsão é que as obras possam ser iniciadas em 2027.

Impacto regional

O Canal de Integração do Semiárido Piauiense prevê o reforço da segurança hídrica e a ampliação do potencial de irrigação no estado. De acordo com os dados apresentados, a iniciativa poderá beneficiar diretamente 26 municípios — 24 no Piauí e dois na Bahia — e impactar indiretamente mais de 80 cidades da região semiárida, alcançando cerca de um milhão de pessoas.

Entre os municípios diretamente beneficiados estão: Alegrete do Piauí, Belém do Piauí, Campo Alegre do Fidalgo, Capitão Gervásio Oliveira, Caridade do Piauí, Coronel José Dias, Curral Novo do Piauí, Dirceu Arcoverde, Dom Inocêncio, Francisco Macedo, Jacobina do Piauí, Lagoa do Barro do Piauí, Massapê do Piauí, Padre Marcos, Patos do Piauí, Paulistana, Queimada Nova, São Francisco de Assis do Piauí, São João do Piauí, São Julião, São Lourenço do Piauí, Simões, Vila Nova do Piauí, São Raimundo Nonato, além de Remanso (BA) e Sento Sé (BA).

O projeto abrange áreas das bacias dos rios Canindé e Piauí e poderá se conectar ao reservatório de Sobradinho, ampliando a disponibilidade hídrica para consumo humano, agricultura, pecuária e outras atividades produtivas.

Novo PAC e diagnóstico técnico

O estudo foi contratado no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem custo estimado em R$ 8,5 milhões, com recursos da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica. O primeiro produto entregue corresponde ao diagnóstico e à caracterização da demanda hídrica da região.

Segundo o MIDR, as equipes técnicas já percorreram mais de 1.200 quilômetros no semiárido piauiense para mapear demandas, infraestrutura existente e alternativas técnicas discutidas desde a década de 1980.

Para o governador Rafael Fonteles, a conclusão do estudo é estratégica para solucionar de forma estrutural o problema do abastecimento no semiárido. Ele destacou que os investimentos em andamento — tanto do governo federal quanto estadual — dependem da garantia de disponibilidade hídrica.

Para o deputado Franzé Silva, a transposição representa um marco histórico para o estado. “Essa é uma obra de todo o povo piauiense, beneficiará todo o estado. Vamos garantir não apenas acesso à água, mas crescimento econômico e desenvolvimento social, assegurando, além do consumo humano, recursos para a agricultura, pecuária e outras atividades. Estamos alinhados com o Ministério da Integração e com o governo federal, para acelerar todas essas etapas e já iniciar o projeto em 2027. O apoio de toda a sociedade, da classe política e do governador é de fundamental importância para essa mobilização”, pontuou.

A obra é considerada estruturante para o desenvolvimento regional, com potencial de reduzir os efeitos da estiagem, fortalecer a produção agrícola e promover crescimento econômico sustentável no interior do estado.

 
 
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