O Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC) realizou, no dia 6 de janeiro de 2026, um teste de transgenia no Assentamento Riacho Tamboril, no município de Lagoa de São Francisco, com sementes cultivadas e preservadas pelo agricultor familiar Antônio Joaquim de Oliveira Neto, conhecido como Zuzu, guardião das Sementes da Fartura.
A testagem foi realizada no milho conhecido como dente-de-burro e teve como principal objetivo assegurar que as sementes produzidas pelos guardiões e guardiãs sejam nativas e livres de transgenia, garantindo a qualidade do material destinado tanto ao plantio quanto à comercialização. As Sementes da Fartura são reconhecidas por fortalecerem a soberania alimentar, preservarem a agrobiodiversidade e assegurarem a autonomia dos povos do Semiárido.
Além de confirmar a origem nativa das sementes, o teste também certifica que o material comercializado esteja livre de qualquer contaminação por organismos geneticamente modificados, reafirmando o compromisso do CERAC com a agroecologia, a defesa da vida e a produção de alimentos saudáveis.
A testagem foi conduzida pelos técnicos e técnicas em Agropecuária do CERAC-PI: Francisco Rodrigues (Chiquinho), Daniele Tabajara e Rosângela Araújo. Segundo Rosângela, que também é licenciada em Educação do Campo e bolsista do Programa Agrobiodiversidade pelo CERAC, o procedimento é fundamental para a agricultura familiar.
“O teste de transgenia assegura que nossas sementes estejam puras, livres de contaminação, e garante a qualidade das Sementes da Fartura cuidadas por nossas guardiãs e guardiões”, destacou.
O agricultor familiar Antônio Joaquim ressaltou a importância da parceria com o CERAC e do fortalecimento das sementes nativas herdadas de seus pais e avós, mantidas ao longo de gerações.
“É um compromisso meu e da minha família levar adiante a tradição das Sementes da Fartura, pelas quais o CERAC tanto luta para preservar nossas preciosidades do Semiárido. Por meio das Casas de Sementes, do CERAC-PI e da SAF, já comercializei mais de quatro toneladas de sementes crioulas. Para mim, é muito gratificante produzir e poder comprovar que minhas sementes são nativas, livres de venenos, naturais e sem nenhum tipo de modificação”, afirmou.
As Casas de Sementes da Fartura, acompanhadas pelo CERAC, desempenham papel estratégico no fortalecimento da agricultura familiar e na execução de políticas públicas. Por meio dessa articulação, mais de 34 mil quilos de sementes crioulas de milho, feijão e fava já foram comercializados para a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), reforçando a relevância das sementes tradicionais para a promoção do desenvolvimento sustentável e da soberania alimentar no Semiárido.
