Em uma ação inédita de articulação intersetorial, as secretarias de assistência social, saúde, educação e cultura do município promoveram, na manhã desta sexta-feira (24), um evento de formação e fortalecimento das políticas públicas de combate à violência LGBTfóbica. Realizada no Teatro Sávio Barão, a iniciativa reuniu gestores, ativistas e representantes da segurança pública em um esforço conjunto para enfrentar os altos índices de discriminação e agressão contra a população LGBTQIAPN+ na região.

A mesa de honra do evento contou com a presença de expressivas autoridades, entre elas o secretário de assistência social Luzifrank Júnior, a secretária de educação Mary Dantas, e a também secretária de assistência social Sibely Martins. Representando o estado, marcaram presença a coordenadora de proteção aos LGBTQIAPN+, Leona Osternes, e o gerente de enfrentamento à LGBTfobia, João Vitor Kaolowsky. Autoridades civis e militares complementaram a composição, evidenciando o amplo pacto institucional em torno da pauta.

Dando continuidade à programação, João Vitor Kaolowsky conduziu uma palestra que abordou temas sensíveis e estruturantes, como a interseção entre religião e preconceito, as diferenças culturais e sociais que agravam a vulnerabilidade da comunidade, além de um debate baseado em dados científicos sobre violência e discriminação. A apresentação trouxe números atualizados e provocou reflexões sobre o papel das instituições na desconstrução de estigmas.

Em seguida, a coordenadora Leona Osternes trouxe à tona casos recentes de grande impacto emocional e social, como o de um médico que tentou o suicídio e precisou ser internado para reabilitação em razão de conflitos relacionados à sua orientação sexual. A exposição, marcada por forte apelo humano, serviu de base para que Osternes detalhasse formas concretas de implementação de políticas públicas de acolhimento, prevenção e enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIAPN+.

A coordenadora de Proteção aos LGBTQIAPN+ da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, Leonna Osternes, destacou o caráter formativo e a ampliação das ações do pacto no estado. “Hoje nos encontramos aqui no município de Picos, trazendo a formação ‘Aqui Tem Lugar para LGBT’ e o projeto Identificar, da Secretaria de Estado de Segurança Pública, onde firmamos um termo de cooperação para realizar formações com todos os profissionais que fazem atendimento ao público, visando um acolhimento mais humanizado e respeitoso. Estamos visitando 26 municípios que aderiram a esse pacto, para que essa população se sinta acolhida e respeitada ao buscar atendimento. O projeto Identificar para Respeitar foi desenvolvido inicialmente para as forças de segurança, mas, em 2026, estamos ampliando essa parceria com os municípios para alcançar outras secretarias”, pontuou.

A coordenadora do Comitê de Enfrentamento à Violência LGBTfóbica, Roseli Moura, ressaltou a importância da adesão do município ao pacto estadual. “Hoje, Picos vive um momento ímpar, sobretudo quando se trata da violência contra a população LGBTQIA+. Ainda no mês de março, o município aderiu ao Pacto de Enfrentamento à Violência LGBT, e hoje temos a oportunidade de receber essa formação, envolvendo diversas secretarias, com o objetivo de capacitar profissionais para identificar e combater esse tipo de violência, que ainda atinge uma parcela significativa da população”, destacou.

O secretário municipal do Trabalho e Assistência Social, Luzifrank Júnior, reforçou o compromisso da gestão municipal com o fortalecimento das ações do comitê. “Mais do que instituir o comitê, é fundamental garantir condições para que ele atue de forma efetiva. Nosso compromisso é oferecer o suporte necessário para que as ações saiam do papel e realmente contribuam para o enfrentamento da violência e para a promoção do respeito e da cidadania. Temos orgulho de Picos ser um dos municípios que aderiram ao pacto, demonstrando sensibilidade e compromisso com os direitos humanos”, afirmou.

A iniciativa integra uma mobilização estadual que busca ampliar o enfrentamento à violência LGBTfóbica por meio da formação de profissionais, fortalecimento das redes de atendimento e promoção de políticas públicas inclusivas, reafirmando o compromisso do município de Picos com a garantia de direitos, o respeito à diversidade e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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