Em 2 de agosto de 2026, o Piauí apresentou condições atmosféricas caracterizadas por umidade relativa do ar extremamente baixa durante a tarde e elevada amplitude térmica entre o período diurno e a madrugada seguinte. Os menores índices de umidade foram registrados em Canto do Buriti e Oeiras, ambos com 14% , seguidos por São João do Piauí, com 17%, Castelo do Piauí, com 19%, e Picos, com 20%. Simultaneamente, as temperaturas máximas atingiram 36,5 °C em Castelo do Piauí e Oeiras , além de 35,7 °C em Campo Maior e Teresina.
Nas primeiras horas de 3 de agosto (hoje) , contudo, foram observadas temperaturas consideravelmente mais baixas, com mínimas de 14,7 °C em São Raimundo Nonato , 15,1 °C em Oeiras, 15,2 °C em Barreiras do Piauí e 15,3 °C em Paes Landim. Em Oeiras, a diferença entre a máxima do dia 2 e a mínima do dia 3 alcançou 21,4 °C. Em Castelo do Piauí, essa variação foi de 19,9 °C, evidenciando uma elevada amplitude térmica diária.
Esse comportamento está associado ao predomínio de uma massa de ar seco e estável, responsável pela redução da nebulosidade e pela manutenção do tempo firme sobre o interior do Nordeste. Para o período de 1º a 3 de agosto, essa Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos já indicava a permanência de tempo seco e baixa umidade para o Piauí. Durante o dia, a pouca cobertura de nuvens permite maior incidência de radiação solar sobre a superfície. Além disso, a baixa disponibilidade de umidade no solo reduz o consumo de energia pela evaporação, fazendo com que uma parcela maior da energia disponível seja utilizada no aquecimento do solo e do ar próximo à superfície.
A elevação da temperatura também contribui para a redução da umidade relativa, pois o ar aquecido passa a apresentar maior capacidade de armazenar vapor d’água. Assim, mesmo sem uma alteração proporcional na quantidade efetiva de vapor presente, a umidade relativa tende a cair acentuadamente durante as horas mais quentes da tarde.
No período noturno ocorre o processo inverso. Com pouca nebulosidade e reduzida concentração de vapor d’água, a atmosfera retém menos a radiação de onda longa emitida pela superfície terrestre. Consequentemente, o solo perde calor de maneira mais eficiente, resfriando rapidamente o ar situado nas camadas mais próximas da superfície. Esse fenômeno, denominado resfriamento radiativo noturno, é mais intenso sob céu claro, ar seco e ventos fracos.
Portanto, as temperaturas mais baixas registradas na madrugada não indicam a atuação de uma intensa massa de ar frio. Elas resultam, predominantemente, da forte perda radiativa de calor durante a noite, após um dia de intenso aquecimento. A combinação entre aquecimento diurno acentuado e resfriamento noturno eficiente explica a elevada amplitude térmica observada em diferentes áreas do Piauí.
Fonte: Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (Pedro Aderaldo – Climatologista / Sonia Feitosa – Meteorologista)
