Com a proposta de integrar ciência, tecnologia e políticas públicas para compreender os padrões de deslocamento dos tubarões na Região Metropolitana do Recife (RMR), o Governo de Pernambuco retoma, após 11 anos, o monitoramento desses animais. Com investimento de R$ 1.052.000,00, o projeto Ecotuba começa a avaliar, a partir deste mês, a distribuição, os padrões de deslocamento e o comportamento das espécies relacionadas aos incidentes registrados no litoral pernambucano.
A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em uma ação demandada pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas) e fomentada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).
Desde 2023, o Governo do Estado já investiu mais de R$ 5,5 milhões em ações voltadas à proteção da vida humana, ao fortalecimento da ciência, à gestão responsável dos riscos e à conservação do ambiente marinho.
“Trata-se de um conjunto de ações que envolve educação ambiental, pesquisa e monitoramento de incidentes com tubarões na área costeira da Região Metropolitana do Recife e no Arquipélago de Fernando de Noronha. O objetivo é compreender o comportamento desses animais, preservar a vida de quem frequenta o litoral pernambucano e conscientizar turistas e a população sobre a importância de respeitar a sinalização que indica riscos para o banho de mar e a proibição de atividades náuticas”, afirmou a secretária da Semas, Nathalie Ribeiro.
O projeto Ecotuba participou da 19ª rodada de submissão ao edital 40/2024, Ciência no Governo: Programa Cientista Arretado – Monitoramento de Tubarões no Litoral Pernambucano. O resultado da proposta aprovada foi divulgado no mês passado, com início de execução programada para este mês. “Com o apoio da Secti e da Facepe, estamos investindo em pesquisa para gerar dados que contribuam para a segurança da população, a preservação ambiental e a construção de políticas públicas cada vez mais eficazes para Pernambuco”, destacou a secretária da Secti, Mauricelia Montenegro.
Cada animal será avaliado quanto ao uso dos habitats costeiros da Região Metropolitana do Recife, além da coleta de material biológico, com indicação de potenciais áreas com maior e menor risco de incidentes. “Os resultados irão permitir a identificação de zonas de risco, a geração de dados científicos atualizados e o aprimoramento das estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática”, explicou Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), presidido pela Semas.
FUNCIONAMENTO
O professor da UFRPE e coordenador do projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, explicou que o monitoramento será realizado em diferentes etapas. Os animais serão capturados e embarcados para a realização de um protocolo que inclui identificação da espécie, medição, coleta de sangue e de tecido para análises genéticas, além da implantação de um chip transmissor. “Esse transmissor será implantado por meio de uma microcirurgia na região ventral. Feito esse procedimento, será devolvido para o mar e, posteriormente, fazer o acompanhamento do monitoramento desse animal dentro d’água. Ou seja, para que possa constatar o padrão de utilização de espaço”, detalhou o pesquisador.
Atualmente, o monitoramento contínuo dos tubarões ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, sob coordenação da UFRPE e com apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Administração da Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Econoronha. Com a retomada do monitoramento no litoral continental, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a conectividade entre esses ambientes marinhos, gerando informações que subsidiem ações de educação ambiental, conservação e gestão costeira.
Fonte: ASCOM
