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Juventude Negra do Piauí discute emprego e redução de mortes de jovens no Brasil

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Com apenas 12 anos, Mislane Lima Paixão, já se preocupa como será o mercado de trabalho quando chegar a hora de procurar um emprego. Ela vive no Quilombo Mimbó em Amarante (há 130 km de Teresina) e está em Teresina fazendo parte da Caravana Participativa Juventude Negra Viva, um evento que acontece até esta terça-feira (5) na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e discute entre outras temáticas a redução da morte de jovens negros no Brasil.

“Já penso na dificuldade que vou ter para encontrar um emprego e entrar no mercado de trabalho”, afirmou ao Cidadeverde.com.

A preocupação de Mislane é também de outros jovens negros piauienses que estão reunidos no Centro de Tecnologia, da UFPI, participando das discussões promovidas pelo Ministério da Igualdade Racial.

O objetivo da Caravana é abrir espaço para os jovens falarem sobre as dificuldades que enfrentam dentro de fora de suas comunidades. Durante os encontros, os movimentos sociais e de juventude contribuem para a elaboração do Plano Juventude Negra Viva, que deve ser lançado em novembro. Teresina é a 23ª cidade a receber a caravana no país.

Segundo Adriano Fiúza, representante do Ministério da Igualdade Social, um dos objetivos do plano é reduzir a letalidade entre jovens negros no país.

O medo da violência faz parte da vida de Gabriel Coelho, da comunidade Potes, do município de São João da Varjota (PI).

“Dentro da comunidade somos livres, não temos medo de nada. Quando estou fora da comunidade eu percebo que o olhar das pessoas muda, principalmente quando estou usando as minhas guias. Temos visto muita violência contra as religiões de matriz africana. Temos medo de ser morto ou de sofrer algum tipo de violência”, explica o jovem.

Outro problema apontado por Gabriel Coelho é a falta de diálogo com a gestão municipal. “Temos uma boa relação com o Governo do Estado e até com o Governo Federal. Mas o município não tem políticas públicas para atender a nossa comunidade, mais por questões políticas”, explica o jovem quilombola.

A jovem Ladvia Helena, também da mesma comunidade, acredita que existir já é uma forma de luta para a comunidade negra.

“Nós negros quando saímos é para mostrar a nossa voz, nossa resistência”, afirmou a jovem.

A comunidade Potes é composta por 64 famílias e tem, no total, 208 habitantes.

Plano Juventude Negra Viva

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Para Adriano Fiúza, a comunidade negra precisa fazer um trabalho de “formiguinha” para levar aos demais o letramento racial.

“Quem tem algum entendimento dessa questão racial precisa fazer o letramento de quem está próximo”, declarou o representante do ministério da Igualdade Racial.

O Plano proposto pelo ministério está balizado em alguns eixos temáticos, tais como: educação, saúde, cultura, fortalecimento da democracia, mas tem reforçado a discussão em torno da segurança pública e do acesso à Justiça.

“A questão da Segurança Pública é o tema que tem sido mais abordado. A gente sabe quem, sabe como, sabemos em que situação, em quais moldes e, às vezes, em nome de quem. E temos batido muito na tecla da Segurança Pública, mas tudo que envolve a vida e a pluralidade da juventude negra temos abordado”, explica Adriano Fiúza.

No Piauí, o plano é encabeçado pela Coordenadoria da Juventude do Estado do Piauí, coordenada por Everton Calixto.

“Estamos aqui num processo de escuta da juventude negra do Piauí, que vai balizar as ações do governo, para podermos tomar decisões mais assertivas. Com esse documento na mão vamos saber onde precisamos aplicar nossos recursos”, disse o coordenador.

Adriana Magalhães
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