O então superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Piauí, Fabrício Loiola, deixou o cargo após a publicação de sua dispensa a pedido. A informação foi divulgada por meio de carta aberta direcionada à sociedade piauiense, na qual o gestor apresenta um balanço das ações realizadas durante sua gestão.
No tetxo, Fabrício Loiola afirma que assumiu a função em um período de desafios institucionais, com foco na adoção de estratégias baseadas em dados e no fortalecimento da atuação operacional. Segundo ele, houve investimento em tecnologia, incluindo o uso de videomonitoramento com inteligência artificial, além da integração entre instituições para o combate ao crime.
Ao detalhar os resultados, o ex-superintendente aponta registros de apreensões de drogas, aumento na recuperação de veículos roubados, atuação em crimes ambientais e impacto financeiro ao narcotráfico estimado em mais de R$ 100 milhões. Também cita a redução da mortalidade nas rodovias federais que cortam o estado.
Em outro trecho, o gestor destaca medidas voltadas à estrutura interna da PRF, com priorização de investimentos em unidades operacionais e melhoria das condições de trabalho dos policiais. Ele também menciona ações sociais e educativas desenvolvidas no período, como arrecadação de bolsas de sangue, doação de leite em pó e realização de atividades educativas em diferentes regiões do Piauí.
O então superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Piauí, Fabrício Loiola, contextualizou sua saída e avaliou a condução da gestão à frente da instituição no estado.
Ao final da carta, Fabrício Loiola informa que inicia uma nova etapa profissional e pretende contribuir com o debate sobre segurança pública, com foco em modernização de legislação, estratégias e uso de tecnologia. A PRF ainda não detalhou quem assumirá a superintendência no estado.
Confira a carta na íntegra
“CARTA ABERTA À SOCIEDADE PIAUIENSE
Hoje foi publicada, a meu pedido, minha dispensa da função de Superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Estado do Piauí. Encerro este ciclo com o coração cheio de gratidão e a consciência tranquila de quem entregou tudo o que podia — e um pouco mais.
Assumi essa missão em um dos momentos mais desafiadores da história recente da instituição. Havia riscos, pressões e incertezas. Mas havia também algo maior: a confiança de que era possível fazer diferente — com estratégia, respeito e compromisso real com a vida.
E foi isso que fizemos.
Em 2025, adotamos uma abordagem baseada em dados e análises técnicas – investimos em tecnologia. Integramos videomonitoramento com inteligência artificial para combater o crime em diversos pontos do Estado. Reduzimos abordagens desnecessárias, retirando o peso da pressão sobre o efetivo e o cidadão, investimos em inteligência e integração entre instituições. O resultado foi concreto e mensurável:
Recordes de apreensão de drogas
Aumento expressivo na recuperação de veículos roubados
Combate efetivo a crimes ambientais
Mais de 100 milhões de reais de prejuízo ao narcotráfico
E, sobretudo, redução da mortalidade nas rodovias
Mostramos, na prática, que um policial respeitado produz mais, protege melhor e serve com excelência. E o cidadão respeitado colabora efetivamente com a ação da polícia.
Também priorizamos quem está na linha de frente. Redirecionamos investimentos para melhorar as condições de trabalho nas unidades operacionais, fortalecendo a base da nossa atuação: o policial da pista.
Ao mesmo tempo, abrimos as portas da instituição para a sociedade. Estivemos presentes não apenas na repressão ao crime, mas também em ações que reafirmam o nosso compromisso com a vida:
677 bolsas de sangue arrecadadas
Mais de 8 toneladas de leite em pó destinadas a crianças em tratamento contra o câncer
Diversas ações sociais e humanitárias em todo o estado
Recordes de ações educativas
Provamos que é possível ser firme no combate ao crime e, ao mesmo tempo, humano na relação com a sociedade.
Fortalecemos o diálogo com órgãos de controle, instituições públicas e parceiros, demonstrando que a integração é o caminho para resultados sustentáveis. Iniciativas como a destinação de recursos para melhorias estruturais e a realização de eventos de grande impacto social reforçam que a segurança pública também se constrói com articulação, confiança e transparência.
Encerramos este ciclo deixando uma PRF no Piauí mais forte, mais respeitada, mais integrada e mais próxima da sociedade.
Mas, acima de qualquer número ou resultado, fica um legado que considero essencial:
a certeza de que respeito gera resultado — e que liderança se faz com exemplo, não com imposição.
Aos policiais rodoviários federais do Piauí, minha eterna gratidão. Vocês provaram, todos os dias, que são profissionais de excelência. Sigam firmes, exigindo respeito, valorização e condições dignas de trabalho. A sociedade precisa de vocês — e pode confiar em vocês.
À sociedade piauiense, deixo meu muito obrigado pela confiança, pelo reconhecimento e pelo apoio ao longo dessa jornada. Seguiremos juntos, cada um em sua missão, mas com o mesmo propósito: proteger vidas e construir um estado melhor.
Inicio agora uma nova etapa, mantendo o compromisso de sempre: servir com responsabilidade, coragem e verdade.
Parto para questionar um modelo de segurança pública que considero obsoleto e ultrapassado. Com o exemplo que criamos na PRF no Piauí, desejo elevar o debate de modernização da legislação, estratégia, tecnologia e procedimentos. Segurança pública não se resume a prisões. Sim, é necessário prender e tratar com força aquele que gere riscos à sociedade, mas o cidadão deseja proteção para que, sequer, o crime ocorra. Foi o que fizemos na PRF e queremos expandir.
As pontes e as naus estão queimadas. Seguimos!
Contem comigo.”
