Crianças de até cinco anos de idade não devem passar mais de 60 minutos por dia em atividades passivas diante de uma tela de smartphone, computador ou televisão. A recomendação é da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para bebês com menos de 12 meses de vida, a recomendação é ainda mais forte: eles não devem passar nem um minuto na frente de dispositivos eletrônicos.

As diretrizes são uma forma de alertar os pais para os riscos do desenvolvimento de comorbidades relacionadas ao sedentarismo, como a obesidade, por exemplo. Mas esse é somente um dos problemas que podem ser causados pela exposição excessiva a telas na primeira infância.
A relação entre o uso excessivo de telas e o desenvolvimento de transtornos é uma linha tênue, especialmente na primeira infância.

“O uso de telas na primeira infância, especialmente na forma excessiva e não mediada, pode interferir em processos fundamentais do desenvolvimento. Do ponto de vista cognitivo, pode prejudicar a atenção sustentada, a linguagem e a capacidade simbólica, já que a criança passa a receber estímulos prontos, reduzindo a necessidade de exploração ativa e imaginação”, diz a neuropsicopedgoga clínica, Raquel Ramos.
Já no campo social, o uso em excesso de telas pode limitar interações reais, que são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades como empatia, leitura de expressões faciais e construção de vínculos. A exposição exagerada a telas pode substituir momentos de interação familiar por experiências individuais e passivas. “Isso reduz significativamente as oportunidades de troca afetiva, diálogo e construção de vínculos seguros”, acrescenta Raquel Ramos.
Ela chama a atenção para o uso de telas como recurso constante de distração para a criança. Isso causa uma diminuição da presença emocional dos pais e pode levar a criança a associar o conforto e regulação emocional ao dispositivo e não à relação com o cuidador, o que fragiliza o apego e a qualidade da relação.
Fonte:Portal O Dia
