Exposição excessiva a telas na primeira infância compromete relações familiares

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Crianças de até cinco anos de idade não devem passar mais de 60 minutos por dia em atividades passivas diante de uma tela de smartphone, computador ou televisão. A recomendação é da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para bebês com menos de 12 meses de vida, a recomendação é ainda mais forte: eles não devem passar nem um minuto na frente de dispositivos eletrônicos.

Exposição excessiva a telas na primeira infância compromete relações familiares - (O DIA)

As diretrizes são uma forma de alertar os pais para os riscos do desenvolvimento de comorbidades relacionadas ao sedentarismo, como a obesidade, por exemplo. Mas esse é somente um dos problemas que podem ser causados pela exposição excessiva a telas na primeira infância.

O Brasil ocupa a primeira posição mundial em transtornos de ansiedade. Cerca de 9,3% da população brasileira sofre com problemas deste tipo. Isso corresponde a aproximadamente 19 milhões de indivíduos. Já o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) afeta entre 5% e 8% da população mundial. Cerca de 60% dos casos foram diagnosticados na infância e o padrão foi se mantendo na vida adulta.

A relação entre o uso excessivo de telas e o desenvolvimento de transtornos é uma linha tênue, especialmente na primeira infância.

A relação entre o uso excessivo de telas e o desenvolvimento de transtornos é uma linha tênue - (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“O uso de telas na primeira infância, especialmente na forma excessiva e não mediada, pode interferir em processos fundamentais do desenvolvimento. Do ponto de vista cognitivo, pode prejudicar a atenção sustentada, a linguagem e a capacidade simbólica, já que a criança passa a receber estímulos prontos, reduzindo a necessidade de exploração ativa e imaginação”, diz a neuropsicopedgoga clínica, Raquel Ramos.

Já no campo social, o uso em excesso de telas pode limitar interações reais, que são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades como empatia, leitura de expressões faciais e construção de vínculos. A exposição exagerada a telas pode substituir momentos de interação familiar por experiências individuais e passivas. “Isso reduz significativamente as oportunidades de troca afetiva, diálogo e construção de vínculos seguros”, acrescenta Raquel Ramos.

Ela chama a atenção para o uso de telas como recurso constante de distração para a criança. Isso causa uma diminuição da presença emocional dos pais e pode levar a criança a associar o conforto e regulação emocional ao dispositivo e não à relação com o cuidador, o que fragiliza o apego e a qualidade da relação.

Fonte:Portal O Dia

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