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sexta-feira , agosto 23 2019
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Morre Antônio Soares Calçada, presidente mais vitorioso da história do Vasco

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Vasco perdeu nesta segunda-feira o presidente mais vitorioso da história do clube. Aos 96 anos,Antônio Soares Calçada faleceu em um hospital na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, vítima de complicações causadas por uma infecção abdominal. Ele estava internado desde julho e deixa a esposa, Marlene, uma filha e dois netos.

Mandatário do Vasco entre 1983 e 2000 e considerado presidente de honra do clube, conquistou os principais títulos do cruz-maltino. Foram três campeonatos brasileiros, uma Libertadores, uma Copa Mercosul, um Torneio Rio-São Paulo e seis campeonatos estaduais.

A rotina de Calçada como presidente começava às 17h em São Januário. Nas horas anteriores do dia, ele cuidava de sua empresa de distribuição de carnes e frangos, a Ascal. O dirigente era costumeiramente visto no Mercado São Sebastião, na Penha, onde tinha um escritório no terceiro andar do Palácio da Bolsa de Gêneros Alimentícios, dentro do mercado. Era lá onde, sempre com as mãos nos bolsos, se acostumou a ouvir os pedidos de reforços entre os funcionários do comércio.

Foi na sua gestão que o Vasco assinou contrato com o Bank of America, uma parceria que gerou milhões de reais ao clube na segunda metade da década de 1990. O dinheiro trouxe títulos no futebol e nos esportes amadores — o time foi campeão brasileiro, bicampeão do Campeonato Sul-Americano e bicampeão da Liga Sul-Americana de basquete masculino, e campeão brasileiro de futsal, além de ter patrocinado uma longa lista de atletas olímpicos.

Entretanto, os gastos excessivos nos últimos anos de sua gestão ocasionaram um crescimento acelerado das dívidas do clube. O problema com o grande passivo é uma realidade vascaína desde então.

Nascido em Aveiro, ao Norte de Portugal, em 16 de abril de 1923, ele chegou ao Brasil em 1935 e se tornou sócio do clube em 1942. Sua contribuição no futebol começou em 1952, quando ele teve a difícil missão de desmontar o time de 1950 conhecido como Expresso da Vitória, que se tornaria a base da seleção vice-campeã do mundo no Maracanazo de 1950.

— Entre 1954 e 1955, essa base já estava em decadência. Dispensei o (goleiro) Barbosa, o Chico e o Augusto, entre outros — lembrou Calçada, em entrevista ao repórter Tim Lopes na revista “Placar”.

Foi quando começou a montar o time supercampeão carioca, em 1958. Naquele ano, o Estadual foi marcado pela tripla igualdade de pontos entre Flamengo, Botafogo e Vasco, e acabou decidido após dois triangulares. O cruz-maltino contava com os reforços de Vavá, Sabará, Laerte e Almir Pernambuquinho. Já naquela época Calçada começava sua fama de exímio negociador.

Ele também foi diretor de tênis de mesa em 1959 e vice-presidente de futebol nos anos de 1955, 1956, 1964, 1980, 1981 e 1982.

Sua última participação mais direta na política do Vasco foi em 2017, quando, na eleição dentro do Conselho Deliberativo, foi candidato à vice-presidência do clube na chapa de Julio Brant. A dupla foi derrotada por Alexandre Campello, atual mandatário vascaíno.

Calçada é o segundo ex-presidente do Vasco que falece em 2019. Em março, Eurico Miranda morreu aos 74 anos, vítima de um câncer no cérebro. Antônio Soares Calçada esteve no velório do ex-dirigente, que foi seu vice-presidente de futebol por mais de uma década, em uma de suas últimas aparições públicas em São Januário.

Relação com Eurico Miranda

Eurico Miranda e Calçada oscilaram entre períodos como adversários e aliados na política vascaína, com o estilo discreto e cordial do segundo como contraponto ao jeito intempestivo do primeiro. Eles estiveram lado a lado em 1980, integrando o mesmo grupo que elegeu Alberto Pires Ribeiro. Entretanto, na eleição seguinte, de 1983, divergiram sobre quem deveria ser o sucessor da situação.

Ambos de lançaram e Antônio Soares Calçada foi o vencedor. No pleito de 1986, nova vitória de Calçada e uma aliança que entraria para a história do Vasco — Eurico foi convidado para integrar a diretoria de Calçada, como vice-presidente de futebol.

— Como ele (Eurico) era quem mais me criticava, eu o chamei para ser o vice de futebol, e passamos a trabalhar juntos — contou Calçada.

Em 2000, Calçada não concorreu, e Eurico foi seu sucessor na presidência geral em 2001. Desde então, se afastaram gradativamente até que Calçada começou a manifestar publicamente suas críticas à gestão de Eurico Miranda. No fim da vida, Calçada manifestou apoio a Julio Brant, candidato de maior oposição a Eurico na ocasião.

CPI do futebol

O pior momento da vida vascaína de António Soares Calçada foi quando teve de depor à CPI do Futebol, em 2001, por conta das acusações de desvios de dinheiro. “O ex-presidente do Vasco da Gama Antônio Soares Calçada foi um presidente desinformado”, na opinião do relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). “Ou Calçada se deixou envolver por terceiros ou tinha comprometimento em uma série de irregularidades cometidas em sua última gestão”, afirmou Althoff (PFL-SC), após audiência de mais de três horas de duração em que Calçada respondeu a questionamentos sobre seus 18 anos como presidente do clube — sua última gestão, a mais controversa, encerrou-se no dia 31 de dezembro passado.

Geraldo Althoff perguntou a Calçada quem mandava no Vasco na gestão em que tantas irregularidades foram constatadas. “Eurico Miranda tinha autonomia total para mandar no departamento de futebol. De resto, a diretoria reunia-se semanalmente para tomar decisões”, afirmou Antônio Soares Calçada, que autorizou a CPI a quebrar seu sigilo bancário e fiscal. Ele não foi indiciado.

Futebol

1 Libertadores da América (1998);

1 Copa Mercosul (2000);

3 Campeonatos Brasileiros (1989, 1997 e 2000);

6 Campeonatos Cariocas (1987, 1988, 1992, 1993, 1994 e 1998)

Basquete

2 Ligas Liga Sul-Americanas (1999 e 2000);

2 Campeonatos Sul-Americanos de Clubes (1998 e 1999);

1 Campeonato Brasileiro (2000)

Remo

3 Campeonatos Estaduais (1998, 1999 e 2000)

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