A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente, na última quinta-feira (11), o retorno do fenômeno El Niño. De acordo com os centros internacionais de monitoramento climático, existe cerca de 60% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade forte até o final deste ano.
No Piauí, a confirmação acendeu um alerta para os impactos que deverão ser sentidos nos próximos meses, especialmente em relação ao aumento das temperaturas, redução das chuvas, queda da umidade do ar e maior risco de incêndios florestais.
Segundo o climatologista Pedro Aderaldo, da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), a confirmação ocorreu após o monitoramento das temperaturas das águas do Oceano Pacífico atingir os critérios técnicos necessários para caracterização do fenômeno.
“Recentemente, na primeira semana de junho, foi identificada uma temperatura acima de 0,5 grau na região 3.4 do Pacífico, totalizando entre 0,7 e 0,8 grau. Em outras áreas próximas à costa da América do Sul, foram registradas temperaturas superiores a 2 graus. Com isso, ficou consolidada a presença do El Niño a partir de 11 de junho”, explicou.

Fenômeno deve permanecer até 2027
De acordo com o especialista, as projeções indicam que o fenômeno deverá permanecer ativo até o final do verão de 2026/2027, influenciando diretamente as condições climáticas do Nordeste brasileiro.
“A tendência é que o El Niño perdure até o final do verão, por volta de março de 2027, influenciando o comportamento das chuvas e das temperaturas em nossa região”, afirmou.
Menos chuva e mais calor
Para o Piauí, os principais efeitos esperados são a redução dos volumes de chuva em relação à média histórica e o aumento das temperaturas.
“Iremos observar totais pluviométricos abaixo da normal climatológica, ou seja, abaixo da média esperada para os meses. Haverá aumento da temperatura e, consequentemente, redução da umidade do ar”, destacou Pedro Aderaldo.
Os efeitos tendem a ser mais perceptíveis durante o segundo semestre, período que já é caracterizado pelo clima seco em grande parte do estado.
Maior risco de queimadas
Outro impacto apontado pelo climatologista é o aumento do risco de incêndios e queimadas, principalmente em áreas de vegetação mais suscetíveis ao fogo.
“O segundo semestre já possui, historicamente, uma tendência maior para ocorrência de focos de incêndio. Com a presença do El Niño, teremos que ter uma atenção ainda maior, devido à redução da umidade, à diminuição das chuvas e ao aumento das temperaturas”, alertou.
A Semarh informou que continuará monitorando os indicadores climáticos e divulgando atualizações sobre o comportamento do fenômeno e seus possíveis impactos no estado.
Além do acompanhamento do El Niño, a secretaria também já disponibilizou a previsão climática para os meses de junho, julho e agosto, período em que o calor e o tempo seco deverão predominar na maior parte do território piauiense.
