A construção de políticas públicas voltadas para a convivência com a seca no semiárido passa, cada vez mais, pela união entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais do povo sertanejo. Com esse entendimento, a Defesa Civil do Piauí, em parceria com a Defesa Civil do Ceará e a convite da Prefeitura de Quixadá, participou do 30º Encontro dos Profetas da Chuva, considerado o maior evento cultural do sertão central cearense, voltado à discussão da quadra chuvosa de 2026.
A Secretaria de Estado da Defesa Civil (Sedec-PI) foi representada pelo diretor de Prevenção e Mitigação, climatologista Werton Costa e comitiva, que participaram dos debates realizados no Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Quixadá, diante de um auditório lotado por agricultores familiares, estudiosos, gestores públicos e representantes da sociedade civil.

Durante sua fala, Werton Costa destacou a importância da sinergia entre a ciência e a tradição popular na formulação de estratégias eficazes de mitigação de eventos extremos no semiárido. Segundo ele, ouvir os “profetas da chuva”, que baseiam suas previsões na observação da natureza, como o comportamento de aves, a floração das plantas, os ventos e a umidade do solo, é fundamental para fortalecer o monitoramento comunitário e aproximar o sistema de governança de riscos da realidade vivida no campo.
“O que vemos aqui é a confirmação de que a ciência não deve ser uma muralha, mas uma ponte. Uma ponte que liga o conhecimento técnico aos saberes ancestrais, tornando a Defesa Civil mais humana, mais próxima e mais eficaz no atendimento às comunidades sertanejas”, afirmou.

O encontro
O Encontro dos Profetas da Chuva, realizado tradicionalmente em Quixadá e também com edições em localidades como Uruquê, em Quixeramobim, e no município de Icó, reúne homens e mulheres do campo que, há gerações, interpretam os sinais da natureza para prever o comportamento das chuvas. Além do caráter cultural, o evento cumpre um papel estratégico ao servir como termômetro social e climático para órgãos como a Defesa Civil, que utilizam essas percepções no planejamento de ações preventivas.

Entre as iniciativas que podem ser fortalecidas a partir desse diálogo estão a antecipação da Operação Carro-Pipa, o monitoramento de reservatórios e áreas de risco, além da orientação aos agricultores sobre períodos mais adequados de plantio, reduzindo perdas e aumentando a resiliência das comunidades rurais.
Na plenária final, Werton Costa ressaltou que as previsões apresentadas pelos profetas dialogam com os dados de instituições como a Semarh e centros de monitoramento climático, indicando a possibilidade de uma quadra chuvosa irregular, porém suficiente para contribuir com a recarga dos reservatórios e a segurança hídrica da população.
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